Calcular a produção de cada dentista da clínica é uma conta de cinco passos: definir o critério, levantar as horas de agenda, registrar os atendimentos e o que cada um produziu, apurar os três indicadores e comparar períodos iguais. Um número útil para comparar dentistas, além da produção bruta, é a produção por hora de agenda, porque mostra quanto cada um produziu no tempo de cadeira que tinha.

Por que medir a produção de cada dentista importa

O total da clínica é a soma do que todos os dentistas produzem, e é por isso que ele costuma esconder o problema. Quando a receita cai, fica difícil saber se o mercado encolheu, se uma cadeira ficou vazia ou se um profissional perdeu ritmo, porque o total não está separado por profissional. A conta individual mostra onde a capacidade está presa. Um dentista com agenda lotada e produção por hora baixa tem um problema diferente de outro com agenda sobrando e produção alta, e as duas situações costumam pedir decisões diferentes.

A produção por dentista também prepara decisões que vêm depois: quando vale a pena contratar mais um dentista, como distribuir a agenda entre as cadeiras e qual procedimento sustenta o faturamento. Nenhuma delas precisa de um número sofisticado, e sim de um número comparável.

O que a produção do dentista quer dizer

Produção é o valor dos procedimentos realizados por um profissional dentro de um período. A clínica escolhe o critério: pode contar o número de procedimentos, o valor de tabela do tratamento ou uma unidade de pontos criada pela própria clínica. O importante é que o critério seja o mesmo para todos os dentistas e para todos os meses; trocar a régua no meio do caminho invalida a comparação.

Os exemplos a seguir usam pontos como unidade ilustrativa, no lugar de valores em reais. A clínica pode substituir os pontos pelo critério que já usa no seu controle.

Produção é diferente de recebimento. O que o dentista produziu é uma coisa; o que entrou no caixa é outra. Uma clínica pode ter produção alta no mês e caixa apertado no mês seguinte, porque parte dos tratamentos foi parcelada ou ainda não foi paga. Separar as duas colunas evita confundir esforço clínico com dinheiro disponível.

O passo a passo para calcular a produção

A ordem importa: primeiro se define a régua, depois se mede, e só no fim se compara.

  1. Defina o critério de produção. Escolha se a produção será contada em procedimentos, em valor de tabela ou em pontos, e escreva a regra. Sem isso, cada dentista responde com um número diferente.
  2. Levante as horas de agenda de cada dentista no mês. Conte o tempo de cadeira reservado a cada profissional, incluindo os blocos que ficaram vazios, para que a ociosidade apareça na conta.
  3. Registre os atendimentos e o que cada um produziu. Some a produção do período, profissional por profissional, e guarde o registro por atendimento, não só o total.
  4. Calcule os três indicadores. Produção total, ticket médio por atendimento e produção por hora de agenda. O Sebrae/RN define ticket médio como quanto, em média, cada cliente gasta em uma transação e calcula dividindo o faturamento total pelo número de vendas no período; na clínica, a conta usa o total produzido pelo dentista e o número de atendimentos dele.
  5. Compare períodos iguais. Só faz sentido comparar meses de mesma duração, com o mesmo critério e com as horas de agenda ao lado.

A conta de exemplo com dois dentistas

Imagine dois dentistas medidos no mesmo mês, na mesma régua de pontos.

No exemplo, o Dentista A teve 100 horas de agenda, fez 200 atendimentos e produziu 20.000 pontos. O ticket médio dele foi de 100 pontos por atendimento, e a produção por hora de agenda ficou em 200 pontos.

No exemplo, o Dentista B teve 60 horas de agenda, fez 150 atendimentos e produziu 15.000 pontos. O ticket médio dele foi de 100 pontos, e a produção por hora ficou em 250 pontos.

Na produção bruta, o Dentista A parece o melhor: 20.000 pontos contra 15.000. No exemplo, o Dentista A precisou de 100 horas de cadeira para chegar lá, enquanto o Dentista B produziu 15.000 pontos em 60 horas: por hora de agenda, o Dentista B rende mais. Quem olhasse só o total concluiria que o Dentista A é o mais produtivo e deixaria passar que o Dentista B entrega mais por hora, e é a produção por hora que mostra onde a agenda pode crescer.

A tabela por dentista

A mesma conta, agora com um terceiro dentista, em uma linha por indicador e uma coluna por profissional:

IndicadorDentista ADentista BDentista C
Horas de agenda no mês1006080
Atendimentos200150120
Ticket médio por atendimento (pontos)100100150
Produção no mês (pontos)20.00015.00018.000
Produção por hora de agenda (pontos)200250225

O Dentista C entra para mostrar um terceiro padrão: menos atendimentos, ticket médio mais alto e produção por hora de 225 pontos. Três dentistas, três perfis diferentes, e nenhum deles vence em todas as colunas. A tabela não escolhe o melhor; ela mostra como cada um usa o tempo de cadeira que tem.

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O que o número não mostra

A produção é o que foi feito, e só isso. Ela não diz se o tratamento foi pago, se o procedimento deixou margem ou se o paciente voltou.

O lucro no papel pode não virar caixa. Um microempreendedor pode ter lucro no papel e, se a maioria dos clientes paga a prazo, ficar sem caixa no mês seguinte (Sebrae/RN, consultado em outubro de 2026). Na clínica, isso significa ler a produção junto com o que foi recebido e com os custos do período, não no lugar deles.

Um segundo olhar é a margem. A margem de contribuição indica quanto cada produto ou serviço contribui para cobrir os custos fixos e gerar lucro (Sebrae Play, consultado em outubro de 2026). Produzir muito de um procedimento de margem baixa pode pesar menos no resultado do que produzir pouco de um procedimento de margem alta, e essa conta é outra, tratada em como saber se um procedimento odontológico dá lucro.

Repasse, comissão e o vínculo do dentista com a clínica (associado, empregado ou prestador) ficam fora desta conta: são temas de contrato e de contabilidade, e vale confirmar com o contador ou o advogado da clínica. A conta do repasse está em Como calcular o repasse do dentista associado.

Por fim, a produção por hora mostra como o tempo de cadeira foi usado; ela não define o tempo que o dentista dedica a cada paciente. O Código de Ética Odontológica do Conselho Federal de Odontologia (CFO), no art. 5º, VII, prevê o direito do profissional de decidir o tempo a ser dedicado ao paciente, evitando que o acúmulo de consultas prejudique o exercício da Odontologia (Código de Ética Odontológica do CFO, consultado em outubro de 2026). Um número de produção não substitui essa decisão clínica.

O que dá para fazer só com processo — e onde entra a ferramenta

Os cinco passos são processo puro: uma clínica que ainda trabalha em papel consegue medir a produção por dentista com o que tem. O que muda é o trabalho de manter o registro em pé.

CritérioPapelPlanilhaSistema de gestão
Tempo para começarComeça sem cadastroDepende de montar as colunasExige cadastrar profissionais e procedimentos
Consistência da somaDepende de quem soma à mãoA fórmula soma sozinha, se a linha for digitada certoSoma o que foi lançado no atendimento, quando o sistema tem o recurso
Histórico por profissionalUma folha por mêsUma aba por dentistaRegistro por usuário, quando o sistema tem o recurso
Produção por hora de agendaConta à mão, dentista por dentistaFórmula de apoioDepende do relatório que o sistema oferece

Quando o volume cresce, o registro manual cobra tempo: alguém precisa lançar o que cada dentista fez e conferir a soma. Para comparar opções, veja melhor sistema para clínica odontológica com vários dentistas.

Como a produção depende do critério que cada clínica escolhe, a comparação mais útil é a da clínica com ela mesma, mês a mês.

Sobre a Capim: a empresa, fundada em 2021, é uma plataforma de gestão para clínicas odontológicas que reúne gestão, soluções financeiras e crédito ao paciente. O Capim Dash tem plano único, com todas as funcionalidades, lembretes e confirmações de consulta pelo WhatsApp sem custo por mensagem e aplicativo para Android e iOS. A Maquininha Capim pode ser contratada sem o Capim Dash e, usada junto com ele, cada venda entra no financeiro da clínica ligada ao paciente. A Capim reúne a gestão da clínica com o Capim Dash, a Maquininha, o Financiamento e o Carnê no mesmo lugar. Os números da Capim: mais de 12 mil clínicas e dentistas e presença em mais de 400 cidades (página de impacto da Capim). Para um recurso muito específico, vale confirmar na demonstração do Capim Dash.

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Perguntas frequentes

Preciso contar todos os atendimentos ou só os concluídos?

Depende do critério que a clínica escolher, e o critério precisa ser o mesmo para todos os dentistas. Se o objetivo é medir produção, entram os procedimentos realizados no período, com a régua escrita. Se o objetivo é medir conversão, o recorte é outro, e não se mistura com a produção.

Como comparar dentistas que atendem em horários diferentes?

Pela produção por hora de agenda. Dividir a produção pelo tempo de cadeira de cada um coloca os profissionais na mesma base, independentemente de quantas horas cada um atende por semana. Comparar só o total favorece quem tem mais horas e esconde quem rende mais por hora.

Devo medir a produção em reais ou em pontos?

A clínica pode usar o critério que já domina: número de procedimentos, valor de tabela ou uma unidade de pontos própria. Os pontos facilitam comparar procedimentos de valores diferentes sem abrir a tabela de preços, e podem ser convertidos depois. O que não pode variar é a régua dentro do mesmo período.

Com que frequência revisar a produção por dentista?

Uma leitura mensal pode ser suficiente para acompanhar tendência, e a revisão fica mais próxima quando a clínica quer corrigir a distribuição da agenda. Comparar períodos de mesma duração e olhar mais de um mês ajuda a não concluir a partir de um mês atípico.

O que fazer quando a produção por hora cai?

Primeiro separar as causas: agenda vazia, procedimentos de menor ticket ou mais tempo por atendimento. Vale olhar as três causas antes de mexer em agenda ou em preço.

Em resumo

Para saber quem usa melhor o tempo de cadeira, compare os dentistas pela produção por hora de agenda, no mesmo critério e em períodos iguais: a produção bruta sozinha pode enganar. Depois de medir, vale cruzar a produção com os demais indicadores da clínica em quais indicadores a clínica odontológica deve acompanhar, olhar a taxa de ocupação da cadeira odontológica e o ticket médio da clínica odontológica, porque um número só não mostra o quadro inteiro.

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Sobre a autora

Carla Duarte é redatora da Capim e graduanda de Odontologia. Escreve sobre gestão, recebimento e crédito ao paciente para clínicas.