Captar mais pacientes não depende de um canal único. Em muitas clínicas, começar por um canal, testar por um mês com um indicador claro e só então somar o próximo costuma ser mais fácil de sustentar, sempre dentro do que o Código de Ética permite divulgar.

Por que captar pacientes importa para a clínica odontológica

Na Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, do IBGE, a proporção de pessoas que consultaram dentista nos 12 meses anteriores à entrevista foi de 49,4% — menos da metade da população (Pesquisa Nacional de Saúde do IBGE). O número é de pessoas residentes no Brasil naquele ano; o dado não mede a demanda de um bairro nem de uma clínica.

Do outro lado, quem atende também está longe de ser poucos. Em maio de 2025, o Sistema Conselhos de Odontologia informou reunir 800 mil inscritos, entre eles 87 mil clínicas, tecnicamente chamadas de EPAOs (CFO — Sistema Conselhos de Odontologia).

Captar costuma ser mais sobre ser lembrada quando a pessoa decide ir. Em muitas clínicas, trazer de volta quem já foi paciente costuma custar menos; a conta do custo por paciente novo está em Quanto custa conseguir um paciente novo na odontologia.

Os seis canais de captação e o que cada um exige

Os canais que uma clínica pequena costuma conseguir trabalhar sem parar o atendimento são seis: indicação, Google, Instagram, retorno de pacientes inativos, convênio e parcerias locais. Cada um pede um esforço diferente da equipe, produz efeito em um ritmo diferente e esbarra em um limite próprio do Código de Ética. Anunciar em canal pago é comum entre pequenos negócios: na Pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios do Sebrae, 59% das micro e pequenas empresas disseram ter pago por propaganda nas redes sociais ou em outros canais da internet (Pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios do Sebrae); o dado é de empresas de todos os setores, não de clínicas, e mede quantas já pagaram por essa propaganda, não o retorno que tiveram.

CritérioIndicaçãoGoogleInstagramRetorno de inativosConvênioParcerias locais
Esforço da equipeBaixo: pedir a indicação no fim do atendimentoMédio: manter perfil e site atualizados e responder avaliaçõesMédio a alto: publicar com constânciaMédio: separar a base por tempo de ausência e escrever a mensagemAlto: credenciamento e conferência de repassesBaixo a médio: conversar com empresas e profissionais do bairro
Velocidade de efeitoMédia: depende de quantos pacientes passam pela clínicaAlta para quem procura dentista na regiãoMédia: depende da constância das publicaçõesAlta: usa a base que já existeMédia: depende do credenciamentoMédia: depende da rede de contatos
Limite do Código de ÉticaPedir indicação é permitido; dar ou receber gratificação por encaminhamento é infraçãoNome e número de inscrição constam na divulgaçãoNome e número de inscrição constam na divulgação; sem preço, serviço gratuito ou modalidade de pagamento, nem propaganda enganosa ou abusivaO texto de divulgação segue os mesmos preceitosA divulgação da clínica conveniada segue os mesmos preceitosO encaminhamento entre profissionais ocorre sem gratificação
Indicador para medirPacientes que chegam citando quem indicouContatos e ligações vindos do perfil e do siteConversas no direct que viram consulta marcadaRespostas e agendamentos da campanhaConsultas de convênio realizadas no mêsEncaminhamentos recebidos e convertidos

Dois desses canais admitem trabalho orgânico ou pago. A comparação entre os dois principais canais pagos está em Google Ads ou Instagram: o que traz mais paciente para a clínica. Já o retorno de inativos é um canal que não depende de público novo: ele trabalha a base que a clínica já tem, e o passo a passo está em Como montar uma campanha de reativação de pacientes pelo WhatsApp.

Três perguntas para escolher o primeiro canal

Antes de escolher, a clínica responde a três perguntas sobre si mesma:

  1. O que a equipe consegue tocar toda semana sem atrapalhar o atendimento?
  2. De quanto tempo a clínica dispõe até precisar do resultado?
  3. Que indicador a clínica consegue acompanhar com o que já anota hoje?

O canal que responde bem às três costuma ser o primeiro. Quando dois empatam, comece pelo que usa a base que já existe, porque ele não depende de conquistar um desconhecido. Antes de publicar qualquer peça do canal escolhido, vale conferir o que o Código de Ética permite: Como divulgar a clínica odontológica sem infringir o Código de Ética.

Um mês de teste com um indicador por canal

A escolha vira rotina com um teste curto e disciplinado. O roteiro abaixo vale para qualquer um dos seis canais:

  1. Escolha o canal pelas três perguntas.
  2. Defina um único indicador para ele, tirado da tabela.
  3. Reserve na agenda da equipe o tempo que o canal exige por semana.
  4. Rode quatro semanas sem trocar de canal, para o resultado não se diluir.
  5. Anote toda entrada no indicador: data, como a pessoa chegou e o desfecho.
  6. Compare com a contagem do mês anterior, se a clínica já anotava.
  7. Decida: manter o canal, ajustar a execução ou testar o próximo.

Exemplo ilustrativo: a clínica escolhe a indicação e adota “pacientes novos que chegaram citando quem indicou” como indicador. No mês de teste ela conta 4 pacientes indicados; no mês anterior havia contado 1. O número é ilustrativo e serve só para mostrar a leitura — o que importa é repetir a contagem no mês seguinte para ver se o canal se sustentou.

O limite do Código de Ética na captação

Todo canal acima passa pela mesma régua. O Código de Ética Odontológica do CFO diz que anúncios, propaganda e publicidade podem ser feitos em qualquer meio de comunicação, desde que obedecidos os preceitos do Código (Código de Ética Odontológica do CFO), e que na comunicação e divulgação é obrigatório constar o nome e o número de inscrição da pessoa física ou jurídica.

O mesmo Código define como infração ética a publicidade com preços, serviços gratuitos, modalidades de pagamento ou outras formas que impliquem comercialização da Odontologia, e também a propaganda enganosa ou abusiva. A regra vale tanto para o anúncio pago quanto para o texto de uma mensagem de divulgação, e em caso concreto a leitura é do CRO.

O encaminhamento entre profissionais tem regra própria: receber ou dar gratificação por encaminhamento de paciente é infração ética. Isso não impede pedir a um paciente que indique alguém, desde que sem oferecer vantagem em troca, como detalha Como pedir indicação de paciente sem constranger.

No Google, o limite é da plataforma: a central de ajuda do Google, consultada em outubro de 2026, afirma que não há como solicitar ou pagar por uma classificação local melhor (Central de ajuda do Google). O que a clínica controla é manter o perfil e o site atualizados, como mostra Como aparecer no Google quando procuram dentista no meu bairro.

O que medir para saber se funcionou

Medir captação é acompanhar, para cada canal ligado, um indicador só — o da tabela — e comparar com o mês anterior. Quatro cuidados deixam a leitura honesta:

  • Anote a origem no primeiro contato. Sem isso, o paciente entra no total e não se sabe de onde veio.
  • Separe paciente novo de paciente que voltou. Os dois são bons, mas respondem a canais diferentes.
  • Não ligue dois canais no mesmo mês. Rodar dois de uma vez impede saber qual funcionou.
  • Depois do mês de teste, repita a contagem no mês seguinte. Um mês isolado pode ser coincidência.

Não há um número de pacientes que um canal deva trazer que sirva para toda clínica; o parâmetro é o próprio histórico da casa. Para transformar a contagem em custo por paciente novo, veja Quanto custa conseguir um paciente novo na odontologia.

Os erros que fazem o esforço se perder

  • Ligar todos os canais ao mesmo tempo e não conseguir manter nenhum.
  • Divulgar sem o nome e o número de inscrição na peça.
  • Usar preço, serviço gratuito ou modalidade de pagamento na chamada, ou fazer propaganda enganosa ou abusiva.
  • Não anotar de onde o paciente veio.
  • Julgar o canal por sensação, sem indicador.
  • Abandonar o teste no primeiro mês mais fraco.
  • Esperar que um único canal traga todos os pacientes, sozinho.

O que dá para fazer só com processo — e onde entra ferramenta

Boa parte da captação funciona só com processo. Separar a base por tempo de ausência, registrar de onde cada paciente chegou e reservar uma hora por semana para trabalhar a lista são tarefas de planilha, de agenda e de disciplina; nenhuma delas depende de um recurso pago.

A ferramenta entra onde a disciplina sozinha falha: manter o cadastro do paciente ligado ao histórico de contato, guardar a origem de cada entrada e acompanhar a campanha dentro do próprio cadastro. Quando o sistema de gestão tem o recurso, a recepção deixa de depender de anotação paralela; os recursos variam de sistema para sistema, e vale confirmar na demonstração se o que a clínica precisa está incluído. No mercado há vários fornecedores, como Clinicorp, Simples Dental e Codental.

A Capim é uma plataforma de gestão para clínicas odontológicas que reúne gestão, soluções financeiras e crédito ao paciente. A Capim tem mais de 12 mil clínicas e dentistas, presença em mais de 400 cidades e foi fundada em 2021 (página de impacto da Capim). A Capim reúne a gestão da clínica com o Capim Dash, a Maquininha, o Financiamento e o Carnê no mesmo lugar.

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Perguntas frequentes

Por qual canal a clínica odontológica deve começar a captar pacientes?

Em geral, comece pelo canal que a equipe consegue tocar toda semana, que produz efeito no prazo que a clínica precisa e cujo indicador ela já sabe anotar. Quando dois canais empatam, o que usa a base que já existe costuma ser o mais simples de testar, porque não depende de conquistar um desconhecido.

É obrigatório informar o nome e o número de inscrição na divulgação?

O Código de Ética Odontológica do CFO diz que, na comunicação e divulgação, é obrigatório constar o nome e o número de inscrição da pessoa física ou jurídica. A regra vale para o anúncio, para o post e para a mensagem de divulgação.

A clínica pode pagar para subir no mapa do Google?

Segundo a central de ajuda do Google, não há como solicitar ou pagar por uma classificação local melhor. Anúncio pago é outro recurso e segue os limites do Código de Ética. O que a clínica controla é manter o perfil e o site atualizados.

A clínica pequena dá conta de manter vários canais de captação ao mesmo tempo?

Dificilmente com a mesma qualidade. Cada canal exige tempo da equipe e um indicador próprio; ligar vários de uma vez costuma diluir o resultado e impedir saber qual funcionou. O caminho mais seguro é somar um canal por vez, medindo antes de acrescentar o seguinte.

O que a clínica precisa organizar antes de começar a captar pacientes?

Antes de divulgar, três coisas: o cadastro dos pacientes com a data da última consulta e o telefone; a agenda em ordem, para que o contato termine em consulta marcada; e o nome e o número de inscrição em toda peça de divulgação. Sem cadastro organizado, a captação vira disparo.

Em resumo

  • Os canais que uma clínica pequena costuma trabalhar são indicação, Google, Instagram, retorno de inativos, convênio e parcerias locais, cada um com esforço, ritmo e limite ético próprios.
  • A escolha do primeiro canal sai de três perguntas: o que a equipe sustenta na semana, de quanto tempo a clínica dispõe e que indicador ela consegue acompanhar.
  • O primeiro canal se testa por um mês, com um indicador só, antes de somar o próximo.
  • Toda divulgação segue o Código de Ética: o nome e o número de inscrição constam na divulgação, sem preço, serviço gratuito ou modalidade de pagamento, nem propaganda enganosa ou abusiva.
  • Processo resolve boa parte; a ferramenta entra onde a disciplina falha.

Sobre a autora

Carla Duarte é redatora da Capim e graduanda de Odontologia. Escreve sobre gestão, recebimento e crédito ao paciente para clínicas.