Conseguir mais avaliações no Google para a clínica odontológica é menos uma campanha e mais uma rotina: o pedido sai em um destes dois momentos — na alta do tratamento ou na confirmação da consulta seguinte —, uma vez por paciente, vem de quem o atendeu e aponta direto para o link ou o QR code do perfil da empresa. O que não pode é o pedido vir embalado em desconto, brinde ou sorteio: o Google trata isso como engajamento falso, e o Código de Ética Odontológica veda oferecer serviços como brinde, premiação ou sorteio (art. 20, inciso VIII) e promover campanhas de troca de favores (art. 44, inciso IX).

Por que a avaliação no Google importa mais do que parece

Quem procura dentista costuma digitar a especialidade e o bairro e, antes de ligar, ler o que outras pessoas escreveram sobre a clínica. A avaliação é um conteúdo da ficha que a clínica não escreveu sozinha — e é por isso que o paciente costuma confiar nela mais do que no texto do site.

O efeito sobre a visibilidade é declarado pelo próprio Google: “Quanto mais avaliações e classificações positivas sua empresa tiver, melhor será a classificação local dela” (Google Perfil da Empresa, consultado em 23/09/2026). A mesma página fecha a outra porta: “não há como solicitar ou pagar por uma classificação local melhor”. Dá para trabalhar o pedido; não dá para comprar posição.

Quem escolhe costuma ler algumas avaliações antes de decidir, e a oferta é grande: o Sistema Conselhos de Odontologia possui 441 mil cirurgiões-dentistas inscritos em todo o país, segundo o CFO.

Se a dúvida é o que pesa nessa escolha, vale ler também o que faz o paciente escolher uma clínica odontológica e não outra.

O que a norma permite e o que proíbe ao pedir avaliação

Pedir avaliação não é o problema; trocar o pedido por vantagem é — e é essa dúvida que costuma travar o dentista.

O Código de Ética Odontológica (Resolução CFO nº 118/2012, em vigor desde 1º/01/2013) veda, no art. 44, inciso IX, “oferecer trabalho gratuito com intenção de autopromoção ou promover campanhas oferecendo trocas de favores” (Código de Ética Odontológica do CFO). Campanha do tipo “avalie e ganhe” é exatamente isso: troca de favores.

A Resolução CFO nº 271/2025, de 18 de junho de 2025, deu nova redação ao art. 20, inciso VIII do Código e veda “permitir o oferecimento, ainda que de forma indireta, de seus serviços, através de outros meios como forma de brinde, premiação e sorteios” (Resolução CFO nº 271/2025). Sorteio de limpeza, brinde ou tratamento de cortesia em troca de avaliação seguem vedados. A resolução retirou a palavra “descontos” desse inciso e não diz se o desconto por avaliação passou a ser permitido: a política do Google continua tratando o incentivo como engajamento falso, e o art. 44, inciso IX segue valendo.

Do lado do Google, o aviso é literal: “Oferecer aos clientes incentivos, como produtos ou serviços sem custos financeiros ou com desconto, em troca de avaliações, mudanças em avaliações ou remoção de avaliações negativas é considerado engajamento falso e é estritamente proibido” (Google Perfil da Empresa, consultado em 23/09/2026). A mesma página orienta pedir que o paciente acesse um link do Google ou leia um QR code para deixar a avaliação.

Há ainda regras do Google que a clínica pode furar sem perceber. A política de conteúdo proibido e restrito do Google Maps veda desencorajar avaliações negativas e pedir avaliações positivas de forma seletiva; os comerciantes não podem exigir ou pressionar o paciente a avaliar, nem pedir um número determinado de avaliações à equipe, e avaliação escrita por funcionário ou parente entra como conflito de interesses (política do Google Maps, consultado em 23/09/2026). A regra da não seletividade é do Google, não do Código de Ética.

E existe o limite que vale para o que a clínica publica depois: o art. 14, inciso III do Código veda “fazer referência a casos clínicos identificáveis, exibir paciente, sua imagem ou qualquer outro elemento que o identifique, em qualquer meio de comunicação ou sob qualquer pretexto”. Na prática, a clínica não reposta a avaliação com nome ou foto do paciente e, ao agradecer, não menciona o tratamento que a pessoa fez. Os demais limites de divulgação estão reunidos em o que pode e o que não pode na publicidade odontológica.

O que a clínica pode fazerO que a clínica deve evitar
Pedir avaliação a todo paciente atendido, com link ou QR code do GoogleOferecer desconto, brinde, sorteio ou tratamento gratuito em troca da avaliação
Explicar que a avaliação ajuda outras pessoas a escolher a clínicaPedir só a quem saiu satisfeito, ou evitar quem reclamou
Agradecer publicamente sem identificar quem avaliouCitar nome, foto, imagem ou o tratamento do paciente
Orientar a equipe a fazer do pedido uma etapa da rotinaCombinar avaliação com funcionário ou parente
Responder avaliação negativa com um fato do processo da clínica e convite ao diálogoExigir, pressionar ou comprar avaliação e posição na busca

Canal do pedido, lado a lado:

Canal do pedidoQuando funciona melhorLimite
QR code no balcão ou na recepçãoNa alta, com o paciente ainda na clínica e o celular na mãoQuem já saiu não vê o QR code
Link do Google pelo WhatsApp da clínicaDepois da consulta e na confirmação da seguinte, quando o paciente já está na conversaDepende de ter o número do paciente e o pedido ter dono
Pedido só falado, sem linkCostuma render menos: soa simpático, mas o paciente esqueceNão deixa registro e não entrega o caminho até a avaliação

O passo a passo para conseguir mais avaliações

  1. Reivindicar e completar o Perfil da Empresa no Google. Sem perfil verificado, com endereço, horário e telefone corretos, não há onde a avaliação cair. O passo a passo de visibilidade local está em como aparecer no Google quando procuram dentista no meu bairro.
  2. Montar o link direto de avaliação e o QR code. O Google recomenda enviar ao paciente um link ou um QR code do próprio Google. No WhatsApp ou na mensagem de confirmação, o link curto evita que ele se perca entre a busca, o mapa e o formulário.
  3. Definir quem pede. Em muitas clínicas, quem está com o paciente no fim do atendimento é a recepção; em tratamentos longos, é o dentista que fecha a consulta.
  4. Fixar os dois momentos do pedido. A alta do tratamento e a confirmação da consulta seguinte, detalhados adiante.
  5. Escrever uma frase única, padronizada. Padronizar não é robotizar: é garantir que toda a equipe use a mesma formulação, sem prometer nada em troca.
  6. Entregar o link no canal em que o paciente já fala com a clínica. Se o contato pós-consulta acontece no WhatsApp, é lá que o link vai — pelo número da própria clínica. Envie só a quem autorizou o contato da clínica e pare de enviar assim que o paciente pedir.
  7. Pedir para todos, sem filtro. A não seletividade é regra do Google e, além disso, é o que dá volume.
  8. Registrar cada pedido. Data, quem pediu, para quem e se a avaliação chegou.
  9. Responder todas as avaliações. Curto, sem discutir, sem revelar dado clínico.
  10. Revisar a rotina a cada 30 dias. Ajustar frase, momento e canal conforme o que rendeu.

Os dois momentos certos de pedir

Por que a alta do tratamento é o melhor momento

É quando a percepção de valor tende a estar no ponto mais alto e o paciente ainda está fisicamente na clínica. O pedido pode ser feito na cadeira, antes de ele sair, com o QR code no balcão, e o link enviado no mesmo dia. Fora desses dois momentos, o pedido chega sem contexto: o paciente já voltou para a rotina dele.

Por que a confirmação da consulta também rende

A mensagem de confirmação costuma ser um contato que o paciente já esperava. Ele abriu a conversa, está respondendo, e a avaliação entra como um pedido pequeno, no fim da mensagem, depois do horário confirmado. O cuidado é não pedir durante um tratamento desconfortável: nesse caso, vale esperar a conclusão de uma etapa e fazer o pedido junto com a alta.

Quem pede, e com que palavra

Quem deve fazer o pedido

Quem atendeu. Em tratamentos longos, o pedido do dentista costuma ter mais peso, porque foi ele quem conduziu o caso; na rotina do dia a dia, a recepção é quem tem o contato no fim do atendimento. O que costuma não funcionar é o pedido automático, disparado por sistema sem passar por quem atendeu. Organizar essa etapa na rotina de quem atende é assunto de como organizar a rotina da secretária da clínica odontológica.

O que dizer, em uma frase

Três elementos bastam: a pergunta, o motivo e o link. “Você pode deixar uma avaliação sobre o atendimento no Google? Ajuda outras pessoas a encontrar a clínica. Vou te mandar o link agora.” O que não entra na frase: qualquer contrapartida, prazo para avaliar, pedido de número de estrelas ou de “avaliação positiva”. O pedido é um convite, e convite não se repete na semana seguinte.

O que fazer depois que a avaliação chega

Agradecer cada avaliação sem identificar quem avaliou: sem nome, sem foto e sem citar o tratamento, como manda o art. 14, inciso III. Avaliação negativa recebe resposta curta, com um fato do processo da clínica (nunca do tratamento do paciente) e convite para conversar em um canal direto, seguindo como responder uma avaliação negativa da clínica odontológica. Discutir em público costuma não ajudar, e a resposta interessa mais ao próximo paciente do que a quem reclamou.

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O que medir — e os erros que fazem o pedido não virar avaliação

O que acompanhar sem definir meta

Cinco números bastam, e todos saem do próprio registro de pedidos: quantos convites foram feitos na semana, quantos viraram avaliação, o tempo médio entre o atendimento e a publicação, quantas avaliações receberam resposta e quantas críticas continuam sem retorno. Nenhuma meta fixa de quantidade ou de nota média: o Google afirma que não há como solicitar ou pagar por classificação melhor, e a régua útil é a série histórica da própria clínica.

Os erros mais comuns

  • Pedir avaliação só a quem saiu satisfeito, o que o Google veda como pedido seletivo.
  • Oferecer desconto, brinde ou sorteio como contrapartida.
  • Pedir à equipe que “traga” um número determinado de avaliações por mês.
  • Combinar avaliação com funcionário, parente ou conhecido.
  • Deixar o pedido para a próxima consulta, que pode não acontecer.
  • Não responder às avaliações, principalmente às negativas.
  • Enviar o pedido de um número genérico, que o paciente não reconhece.
  • Repostar a avaliação com nome ou foto do paciente.

Perguntas frequentes

Posso oferecer desconto para o paciente avaliar a clínica no Google?

Não. A política do Google trata incentivo em troca de avaliação como engajamento falso e o proíbe de forma expressa. No terreno do conselho, a Resolução CFO nº 118/2012 veda campanhas que ofereçam trocas de favores, e a Resolução CFO nº 271/2025 mantém a vedação a brinde, premiação e sorteio. A resolução retirou a palavra “descontos” do art. 20, inciso VIII e não diz se o desconto por avaliação passou a ser permitido; a regra do Google continua valendo.

Posso pedir avaliação só para os pacientes que saíram satisfeitos?

Não é recomendável, e o Google veda pedir avaliações positivas de forma seletiva. Além da regra, o filtro tira da clínica o retorno de quem não gostou — e é justamente esse paciente que costuma escrever a crítica que a clínica consegue responder em público.

Quem deve pedir a avaliação: a recepção ou o dentista?

Quem atendeu. O dentista costuma ter mais peso no fim de um tratamento longo; a recepção, na rotina do dia a dia. O que costuma não funcionar é o pedido sem dono, dividido entre todos, ou o disparo automático sem alguém da equipe por trás da mensagem.

Como pedir avaliação sem parecer que a clínica está cobrando?

Uma frase, um motivo e um link, na alta do tratamento ou na confirmação da consulta seguinte. O convite é feito uma vez; se ele não avaliar, não se repete na semana seguinte.

Posso agradecer a avaliação nas redes da clínica?

Pode, desde que sem identificar o paciente. O art. 14, inciso III do Código de Ética Odontológica veda fazer referência a casos clínicos identificáveis e exibir o paciente, a imagem ou qualquer elemento que o identifique, em qualquer meio de comunicação.

Em resumo

  • A avaliação no Google pesa na escolha de quem procura dentista no bairro, e o perfil trabalha sem custo por clique.
  • Pedir avaliação não é o problema; trocar o pedido por desconto, brinde, sorteio ou tratamento de cortesia é — o Google veda, e o Código de Ética veda brinde, premiação, sorteio e troca de favores.
  • O pedido não pode ser seletivo: vale para todo paciente atendido, satisfeito ou não.
  • Os dois momentos que rendem são a alta do tratamento e a confirmação da consulta seguinte.
  • Quem pede é quem atendeu, com uma frase padrão que termina em link ou QR code do Google.
  • Depois de recebida, convém responder a avaliação e agradecer sem identificar o paciente.

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Sobre a autora

Carla Duarte é redatora da Capim e graduanda de Odontologia. Escreve sobre gestão, recebimento e crédito ao paciente para clínicas.