Não há porcentagem única oficial que diga quanto uma clínica odontológica deve gastar com marketing: o teto sai da conta do próprio negócio. O caminho tem cinco passos e começa pela margem de contribuição do mês, não por um número de mercado. A partir dela, a clínica define quanto aceita aplicar em marketing e confere se o gasto do mês cabe nesse teto e se o custo por paciente novo continua abaixo do valor que o paciente gera.

Por que partir da margem e não só do faturamento

O Sebrae orienta que a verba de marketing varia conforme a realidade de cada negócio e deve ser contemplada a partir do faturamento da empresa (Sebrae, consultado em outubro de 2026). Traduzindo para a clínica: o valor que pode ir para anúncio não é um número solto, e sim uma fatia do que o negócio produz. Para a conta da clínica, o passo a passo parte da margem de contribuição e não do faturamento puro, porque a margem mostra o que sobra depois dos custos variáveis.

Pagar por divulgação já aparece entre as práticas dos pequenos negócios. Quase metade deles (48%) afirma que já pagou para fazer propaganda nas redes sociais ou em outros canais da internet, e entre as micro e pequenas empresas a proporção chega a 59%; saúde, educação e economia criativa estão entre as atividades que mais investem em propaganda paga nos meios digitais, segundo a Pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios (Agência Sebrae). O dado é de pequenos negócios de todos os setores, não separa a odontologia e mede quem já pagou por propaganda, não quanto se gasta nem o retorno obtido; por isso a clínica precisa construir o próprio teto.

Sem um número pronto, o que sobra é método. O teto nasce de contas simples, ancoradas em informação que a clínica já tem: quanto cada atendimento deixa depois dos custos variáveis e quanto custa trazer um paciente novo. O custo de aquisição em si é assunto de Quanto custa conseguir um paciente novo na odontologia; aqui o foco é o teto que a clínica pode se dar.

O passo a passo para definir o teto de gasto

São cinco passos, todos refeitos todo mês.

  1. Calcule a margem de contribuição do mês. A margem de contribuição indica quanto cada produto ou serviço contribui para cobrir os custos fixos e gerar lucro (Sebrae Play). Na clínica, é o que sobra de cada atendimento depois de descontar os custos que variam com ele, como material e repasse de laboratório.
  2. Defina a fatia da margem que pode ir para marketing. Esse é o teto. Ele não é o que a clínica quer gastar, e sim o máximo que ela aceita comprometer sem apertar o caixa.
  3. Meça o custo por paciente novo. O custo de aquisição do cliente é o custo de marketing mais o custo de vendas, dividido pelos clientes conquistados (Sebrae Play). Na clínica, o custo de vendas pode incluir o tempo de recepção gasto em responder mensagens, agendar e acompanhar quem pediu orçamento.
  4. Compare com o valor do paciente ao longo do tempo. Se o valor de aquisição for bem mais baixo que o valor que o paciente gera, o negócio está em um bom caminho (Sebrae Play). O valor do paciente soma a margem de consultas, retornos e tratamentos que ele faz depois da primeira visita; contar só o faturamento deixa a comparação mais folgada do que é.
  5. Revise o teto todo mês. A margem de contribuição muda, e o teto acompanha.

A conta de exemplo, com números ilustrativos

Para ver os cinco passos funcionando juntos, vale um exemplo com unidades ilustrativas — pontos, não reais. Uma clínica fecha o mês com margem de contribuição de 12.000 pontos. Ela decide que aceita aplicar 10% dessa margem em marketing, o que dá um teto de 1.200 pontos. No mês, gasta 1.200 pontos em anúncios e campanhas, dentro do teto; o custo de vendas (400 pontos de tempo de recepção) entra só no custo por paciente novo. Com esse investimento, entram 20 pacientes novos, e o custo por paciente novo fica em (1.200 + 400) ÷ 20 = 80 pontos. Se cada paciente deixa, ao longo do tempo, 600 pontos de margem entre consultas, retornos e tratamentos seguintes, o custo de 80 pontos fica bem abaixo desse valor, que é a situação do passo 4.

O exemplo também mostra o que observar quando a conta muda. Se os pacientes novos param em 10, o custo sobe para 160 pontos: ainda abaixo dos 600, mas o dobro do mês anterior. O teto depende da margem e da fatia escolhida; o custo por paciente decide se o gasto dentro do teto se mantém, se ajusta ou se pausa.

Os três cenários de teto e o checklist mensal

A fatia da margem que vira marketing é uma decisão da clínica, e ela pode ser conservadora ou ousada. Os três cenários abaixo usam a mesma margem de 12.000 pontos do exemplo, mudando só o percentual comprometido.

CritérioTeto menorTeto intermediárioTeto maior
Fatia da margem (de exemplo, não referência de mercado)5%10%15%
Teto no exemplo de 12.000 pontos600 pontos1.200 pontos1.800 pontos
Quando costuma caberClínica que ainda está medindo o retorno de cada valor investidoClínica que já mede o custo por paciente novo e o valor do pacienteClínica com retorno conhecido e caixa para aguentar um mês fraco
Se o mês vier fracoSuspende o gasto extra e mantém o essencialAjusta as campanhas e reduz o ritmoVolta ao teto intermediário até a margem se recuperar
Se a clínica ainda não mede o custo por paciente novoCostuma fazer sentido limitar o quanto ela compromete enquanto não mede o retornoDifícil de justificar sem medir o custo de aquisiçãoCompromete margem sem saber o retorno

Para o teto acompanhar a clínica, o checklist de fim de mês tem cinco itens:

  • Recalcular a margem de contribuição do mês.
  • Refazer o custo por paciente novo com os gastos reais de marketing e de vendas.
  • Atualizar o valor do paciente ao longo do tempo.
  • Conferir se o gasto ficou dentro do teto escolhido.
  • Decidir se o teto do próximo mês sobe, desce ou fica igual.

A conferência mensal separa um teto real de uma meta no papel. Quem já acompanha indicadores encontra apoio em O que medir para saber se o marketing da clínica está funcionando.

Os erros que fazem a conta não fechar

Alguns erros derrubam a conta, e eles vêm de trocar uma peça por outra parecida.

  • Partir do faturamento sem olhar a margem. Faturamento alto com margem apertada não autoriza gasto alto.
  • Contar só o anúncio e esquecer o custo de vendas. O custo de aquisição soma marketing e vendas; deixar o tempo da recepção de fora pode fazer o número parecer menor do que é.
  • Comparar o custo por paciente com a primeira consulta. O valor do paciente se mede ao longo do tempo, com retornos e tratamentos seguintes.
  • Fixar o teto uma vez e não revisar mais. Margem e custo mudam de mês para mês.
  • Gastar acima do que o caixa aguenta. Um mês fraco com gasto comprometido é o cenário que aperta o capital de giro.

Há ainda um limite que não é de conta, e sim de conduta. A Resolução CFO 271/2025, art. 4º, altera o art. 44, XIV, do Código de Ética Odontológica, que passa a vedar a divulgação com finalidade de aliciamento de pacientes por telemarketing ativo à população em geral, caixas de som portáteis ou em veículos automotores, plaqueteiros, entre outros meios (Resolução CFO 271/2025). O orçamento de marketing não pode financiar essas práticas; o restante das regras de divulgação está em Como divulgar a clínica odontológica sem infringir o código de ética.

O que dá para fazer só com processo

Os cinco passos e o checklist mensal são processo, e processo não depende de software. Uma planilha com a margem do mês, os gastos de marketing e vendas e o número de pacientes novos resolve a conta. A escolha do canal é outra decisão, e ela vem depois do teto definido: comparar caminhos é assunto de Google Ads ou Instagram: o que traz mais paciente para a clínica e Vale a pena fazer Google Ads para dentista.

A Capim, plataforma de gestão para clínicas odontológicas

A Capim é uma plataforma de gestão para clínicas odontológicas que reúne gestão, soluções financeiras e crédito ao paciente. A Capim, fundada em 2021, tem mais de 12 mil clínicas e dentistas e presença em mais de 400 cidades (página de impacto da Capim).

O Capim Dash é o software de gestão da Capim, com agenda, prontuário eletrônico, odontograma, anamnese digital, assinatura eletrônica e financeiro, além de aplicativo para iOS e Android. A Maquininha Capim pode ser contratada sem o Capim Dash e, usada junto com ele, leva cada venda ao financeiro da clínica ligada ao paciente.

Se a clínica depende de um recurso muito específico, vale confirmar na demonstração.

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Perguntas frequentes

Existe um percentual do faturamento que toda clínica odontológica deve gastar com marketing?

Não. O teto sai da margem de contribuição e do custo por paciente novo da própria clínica, nos cinco passos do guia.

O que entra no custo por paciente novo?

Entram o custo de marketing e o custo de vendas, divididos pelo número de pacientes novos conquistados. Na conta de exemplo, 1.200 pontos de marketing mais 400 pontos de vendas, divididos por 20 pacientes novos, dão 80 pontos por paciente.

De onde sai o dinheiro do marketing?

Do caixa, e o gasto reduz o lucro do mês. O teto parte da margem de contribuição e precisa caber num mês fraco: comprometer mais do que a clínica aguenta pode apertar o capital de giro.

Com que frequência o teto de marketing deve ser revisto?

O ideal é rever todo mês, junto com o fechamento, porque a margem de contribuição muda, e o teto precisa acompanhá-la.

O que fazer quando o mês fecha abaixo do esperado?

Primeiro, refazer o custo por paciente novo do mês: menos pacientes com o mesmo gasto elevam o custo de aquisição. Depois, decidir entre ajustar as campanhas, reduzir o ritmo ou voltar a um teto mais conservador até a margem se recuperar.

Em resumo

  • O teto de marketing sai da margem de contribuição do mês, e não de um percentual de mercado.
  • O caminho tem cinco passos: calcular a margem, definir a fatia que vai para marketing, medir o custo por paciente novo, comparar com o valor do paciente ao longo do tempo e revisar todo mês.
  • Os três cenários de teto — menor, intermediário e maior — mudam só a fatia da margem comprometida, com um checklist mensal para ajustar.
  • O processo funciona com uma planilha, sem software.

Sobre a autora

Carla Duarte é redatora da Capim e graduanda de Odontologia. Escreve sobre gestão, recebimento e crédito ao paciente para clínicas.