Antecipação de recebíveis é receber hoje valores que o paciente pagou parcelado no cartão e que a clínica só receberia nos meses seguintes, mediante um custo cobrado por quem antecipa. A clínica troca prazo por dinheiro imediato, e a diferença entre o total das parcelas e o valor que chega à conta é o custo dessa troca.
Num tratamento longo, vendido em várias parcelas no cartão, o atendimento acontece agora e o dinheiro chega aos poucos. Quando uma conta vence antes, a antecipação parece a saída natural, e entender como ela funciona evita que um recurso pontual vire hábito.
Por que a antecipação de recebíveis importa para a clínica?
O cartão parcelado ajuda a fechar o tratamento, mas alonga o prazo de recebimento: o laboratório, os materiais e a folha vencem agora, enquanto as parcelas entram mês a mês. Esse intervalo leva muitas clínicas a considerar a antecipação, e o caixa passa a depender de uma decisão financeira, além da agenda.
Como funciona a antecipação de recebíveis?
A clínica pede a quem opera a maquininha, ou ao banco, que adiante parcelas já vendidas e ainda não recebidas. Em troca, recebe agora um valor líquido, menor que o total dessas parcelas, porque o custo da operação já está considerado. Sem antecipar, cada parcela cai no prazo do dinheiro da maquininha, conforme as condições contratadas.
Pela Resolução CMN nº 4.734, no portal de normativos do Banco Central, a antecipação é a liquidação de recebível em prazo inferior ao máximo determinado pelo arranjo de pagamento, e a pós-contratada é a feita sob demanda do recebedor, sobre um conjunto de transações já realizadas.
Exemplo ilustrativo, com valores fictícios e sem moeda: um tratamento de 100 vendido em 10 parcelas de 10 no cartão. Sem antecipar, a clínica recebe 10 por mês durante 10 meses. Antecipando todas as parcelas, recebe de uma vez um valor menor que 100, e os meses seguintes ficam sem entrada desse tratamento.
Quando a antecipação faz sentido e que custo ela esconde no caixa?
Ela faz sentido quando o aperto é pontual e conhecido, como a compra de um equipamento ou o vencimento de um laboratório antes das parcelas, e a clínica sabe exatamente quanto vai receber. Três efeitos merecem atenção antes de decidir:
- o custo da operação sai da margem de um tratamento que já foi vendido: o caixa melhora hoje e o resultado do tratamento diminui, o que separa lucro e caixa;
- os meses seguintes ficam com menos entradas, porque as parcelas antecipadas já foram recebidas, e a projeção do caixa precisa ser refeita;
- o crédito chega de uma vez e em valor líquido, e o fechamento de caixa precisa ligar esse valor às parcelas de origem.
Outro exemplo, também fictício e sem moeda: se o tratamento de 100 tem 70 de custos com laboratório, materiais e repasse, a margem é de 30, e todo custo da operação de antecipação sai dessa margem. O valor cobrado do paciente não mudou, mas a margem real ficou menor que 30, e a tabela de valores da clínica não mostra isso sozinha.
Quando a antecipação se repete todo mês, o sinal é de descompasso entre pagar e receber, que pede capital de giro dimensionado, e não um novo pedido de adiantamento.
Segundo o e-book de capital de giro do Sebrae/RS, quanto mais longo o ciclo financeiro, maior será a necessidade de capital de giro. Em pesquisa do Sebrae noticiada pela Agência Brasil em junho de 2021, 22% dos empresários que fecharam o negócio apontaram a falta de capital de giro como fator primordial.
O que a clínica pode fazer antes de antecipar?
Algumas medidas reduzem a necessidade do adiantamento e podem ser combinadas:
- renegociar o vencimento do laboratório e dos fornecedores para depois das datas de recebimento;
- formar uma reserva nos meses de caixa mais folgado;
- alinhar os vencimentos das contas fixas às datas em que as parcelas entram;
- projetar o caixa das próximas semanas, para conhecer o tamanho exato do aperto antes de pedir o adiantamento.
Se o aperto continua depois dessas medidas, a antecipação passa a ser uma opção calculada, e não um reflexo.
Como a Capim ajuda a financiar o tratamento do paciente?
A Capim é uma plataforma de gestão para clínicas odontológicas que reúne gestão, soluções financeiras e crédito ao paciente. Em vez de vender no cartão e antecipar depois, a clínica pode vender o tratamento pelo Financiamento Capim.
No Financiamento Capim, o paciente parcela em até 36x no boleto, mesmo sem cartão de crédito ou limite disponível, com análise de crédito feita a partir do CPF; a clínica recebe à vista, em até 3 dias úteis depois da aprovação, e é a Capim quem assume o risco da inadimplência, não o dentista.
Como a clínica recebe depois da aprovação, e não parcela a parcela, ela não precisa antecipar esse valor para trazê-lo ao caixa.
No Capim Dash, software de gestão da Capim, o financeiro fica junto da agenda e do prontuário eletrônico, e a demonstração é o momento de conferir como as parcelas a receber das próximas semanas aparecem.
Perguntas frequentes
Como lançar a antecipação de recebíveis no fluxo de caixa?
Registre a entrada pelo valor líquido recebido, na data em que o dinheiro chegou, e retire as parcelas antecipadas dos meses seguintes para não contá-las duas vezes. A diferença entre o total das parcelas e o valor líquido aparece como custo financeiro da operação.
Que informações a clínica deve pedir antes de antecipar parcelas?
Peça o valor líquido que chegará à conta, a data do crédito, as parcelas incluídas e o custo total da operação em valor. Com esses dados, a clínica compara a antecipação com outras saídas antes de decidir.
O paciente percebe quando a clínica antecipa o cartão dele?
Para o paciente nada muda: a antecipação é uma operação entre a clínica e quem paga as parcelas, e a fatura do cartão segue com as mesmas parcelas.
Como saber se a clínica está antecipando demais?
Há sinal de excesso quando a antecipação se repete todo mês para pagar folha, laboratório ou materiais. Nesse caso, o fluxo de caixa projetado costuma mostrar um descompasso fixo entre pagamentos e recebimentos, que pede reserva de capital de giro ou ajuste de prazos.
O que fica
Antecipação de recebíveis é receber agora parcelas que cairiam depois, trocando prazo por um custo que sai da margem do tratamento. Antes de recorrer a ela, vale comparar com o caixa projetado e com outras formas de receber mais cedo. Conheça a Capim e compare o Financiamento Capim com a antecipação no caixa da sua clínica.
Sobre a autora
Carla Duarte é redatora da Capim e graduanda de Odontologia. Escreve sobre gestão, recebimento e crédito ao paciente para clínicas.